Esclarecendo Painéis Solares (Parte 2)

29 de Junho de 2015

Bom, dando continuidade ao tópico “Esclarecendo Painéis Solares”, vamos tentar responder algumas perguntas um pouco mais específicas (ou nem tanto).

  • Painéis solares são realmente tecnologias sustentáveis?
  • Qual a quantidade de energia utilizada para produzir um painél fotovoltaico ou termossolar?
  • Será que o painél produz mais energia do que é consumida em sua produção?
  • De onde vem essa energia?
  • E o processo produtivo? É ambientalmente correto?

Bom, talvez as respostas para essas perguntas pareçam óbvias, mas se olharmos 5 anos atrás, elas seriam:

  • Não!
  • Muita!
  • Também não!
  • De minerais esgotáveis, assim como os combustíveis fósseis!
  • Péssimo, insalubre. Definitivamente, não.

Talvez você nunca tenha parado para refletir. Afinal de contas, com a quantidade de notícias que somos bombardeados, diariamente, é mais do que natural aceitar aquelas mais “positivas” como mais “verdadeiras”. Difícil filtrar. E essa seria uma função primordial entre os profissionais responsáveis pela divulgação e disseminação daquilo que é considerado informação. Mas, como é de praxe e todos sabem, assim como eu e você (que não dedicamos a isso as nossas profissões), nossos formadores de opinião formam as mesmas como lhes convém e, não necessariamente, como nos convém (ou seja, com um mínimo de pesquisa, critério e bom senso – discussões e questionamentos). Sendo assim, por questões empresariais, governamentais ou midiáticas, cabe a nós (cidadãos de bem, e público alvo), prestarmos mais atenção a aquilo que definem como tendência.

“Tecnologia de ponta. Absorve a abundante e inesgotável energia solar e a transforma em energia elétrica. Perfeito! Um pouco mais de investimento e teremos resolvido a situação energética no mundo. Energia infinita!”

Será? Estamos aqui para fazer o melhor, então, vamos ao que interessa.

Para começar, é importante frisar: a utilização dos painéis solares, HOJE, traz mais benefícios, principalmente em relação às emissões de gases estufa, do que a queima de combustíveis fósseis, como é exposto em:(http://spectrum.ieee.org/green-tech/solar/solar-energy-isnt-always-as-green-as-you-think).

Então, calma! Estamos do lado certo.

UntitledApesar disso, algumas escolhas são fundamentais. Por exemplo, o tempo que os painéis necessitam para compensar a energia que foi dedicada à sua fabricação varia bastante e, por incrível que pareça, para os painéis fotovoltaicos (de algumas empresas) essa (re)compensação só passou a ser verdadeira em 2010. Até então, mais energia era utilizada para produzir os painéis (incluindo a queima de combustíveis fósseis para o alcance de altas temperaturas necessárias na produção), do que os próprios painéis eram capazes de gerar durante toda a sua vida útil (em torno de 25 anos).

O processo produtivo – que envolve desde a extração do quartzo para produção de silício (que implica, necessariamente, em situações precárias de trabalho a muitos mineradores) e a purificação do semimetal (que, para cada tonelada, tem como subproduto 3 a 4 toneladas de tetracloreto de silício, substância extremamente perigosa quando em contato com água, onde normalmente era despejado) até a lavagem das células com ácido fluorídrico (novamente, nocivo) no processamento das células – já foi mais danoso do que muitos outros. No entanto, essas questões vêm sendo muito estudadas e, aos poucos, resolvidas.

Hoje em dia, outras substâncias menos tóxicas vêm sendo utilizadas no lugar do ácido fluorídrico e o tetracloreto de silício, por lei, deve ser reaproveitado em até 98,5%. Claro, isso vai depender da empresa da qual você compra o seu painél, então, atenção! Esses detalhes podem fazer grande diferença.

O payback em termos energéticos já foi relatado em até 6 meses para alguns painéis, mas, em média, 5 anos são necessários. Estima-se que, em 2020, teremos uma compensação de toda a energia já utilizada pelos combustíveis fósseis para a fabricação dos painéis e, a partir dai, o que vier é lucro. Vale frisar, quanto mais painéis instalados, mais fácil atingir essa estimativa.

Para os painéis termossolares, que exigem uma tecnologia mais simples em sua produção e se baseiam numa forma de aproveitamento e armazenamento de energia mais eficiente, o payback energético fica em torno de 2 anos (em países com clima tropical).

Enfim, andamos sim na direção certa, mas cuidado com o que ouve ou lê por ai. Para qualquer esclarecimento, contem com os profissionais dedicados à questão. Tenha critério nas interpretações e procure, sempre, dedicação e qualidade.

Mais informações em:

http://spectrum.ieee.org/green-tech/solar/solar-energy-isnt-always-as-green-as-you-think

https://en.wikipedia.org/wiki/Solar_water_heating#Economics.2C_energy.2C_environment.2C_and_system_costs

http://www.mnn.com/earth-matters/energy/stories/do-solar-panels-use-more-energy-than-they-generate

http://news.stanford.edu/news/2013/april/pv-net-energy-040213.html


Lucas Oswald

  Engenharia

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