A Nova Era da Energia Renovável

28 de Julho de 2015

A nova era da energia renovável já começou no Brasil (retirado da Exame.com)

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São Paulo – Os bons ventos continuarão soprando forte e o sol, finalmente, brilhará sobre a matriz energética brasileira nos próximos anos. Até 2040, o Brasil deverá atrair US$ 300 bilhões em investimentos para geração de energia elétrica — a maior parte disso (70%) irá para projetos solares e eólicos, prevê o estudo Energy Outlook (NEO), feito pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

No total, o país vai adicionar 250 gigawatts (GW) de nova capacidade nos próximos anos, chegando a 383GW, um aumento de 189% sem sua capacidade total. Cerca de 89% disso, prevê o estudo, serão compostos de energias renováveis.

No entanto, a grande mudança vem participação das renováveis eólica, solar e biomassa, que deverá saltar do atuais 14% de capacidade instalada para nada menos do que 51% em 2040.

“A crise no setor energético nos últimos meses, agravada pela seca, destacaram a necessidade do país diversificar sua matriz energética […] E o grande potencial de diversificação está nas fontes renováveis […]”, diz Lilian Alves, analista da Bloomberg New Energy Finance.

À medida que o país expande a capacidade e a geração a partir de fontes alternativas, ele aumenta sua segurança energética e a resiliência frente a fenômenos extremos.

O Sol Vai Brilhar (no seu telhado)

2De acordo com a especialista, a energia eólica, que nos últimos anos cresceu a velocidade de foguete por aqui, receberá R$ 84 bilhões; outros US$ 26 bilhões vão para biomassa, enquanto projetos de grandes e pequenas hidrelétricas receberão US$ 23 bilhões.

Um terço dos US$ 300 bilhões esperados até 2040 — vultosos US$ 125 bilhões — terá fins solares. Projetos de grande escala, com mais de 1 Megawatt (MW), receberão R$ 31 bilhões.

Já a geração distribuída deverá atrair US$ 93 bilhões, tornando-se a grande estrela dessa nova revolução energética.

Instalar sistemas fotovoltaicos no telhado de casa e em edifícios residenciais e comerciais deve virar um ótimo negócio, seguindo tendência mundial.  

 “Com a previsão de queda acentuada de custo nas próximas duas décadas, a população vai começar a olhar para a energia solar em busca de independência energética”, avalia.

Algumas mudanças pavimentam essa transformação. Medidas adotadas pela Aneel na resolução 482, há dois anos, são um grande passo nesse sentido.  Além de regulamentar a produção de energia solar no país, as regras vislumbraram um sistema de compensação de créditos a favor do consumidor, o que ajuda a viabilizar economicamente os sistemas de energia solar.

“Movimentos como a possibilidade de retirar o ICMS sobre a eletricidade que é gerada pelos consumidores podem acelerar ainda mais esse processo”, comenta a analista da BNEF.

Alterações na forma como consumimos energia, como o uso intensivo de aparelhos ar-condicionados reforçam a importância dessa fonte para suprir picos de consumo.

“A demanda máxima por energia elétrica antes acontecia entre 18h e 20h, mas hoje3 ela se concentra no período das 14h às 16h, que é quando os projetos solares mais podem gerar energia”, explica Lilian. A revolução das renováveis já começou. Confira abaixo os países que lideram essa corrida:

A China continua, invicta, no topo do ranking de países mais atraentes para energias renováveis no mundo. Só no ano passado, nada menos do que 90 bilhões de dólares foram investidos na diversificação da matriz energética do país a partir de fontes mais limpas. Tal volume representa quase um terço do total investido em renováveis em todo o mundo no período, que atingiu vultosos 300 bilhões de dólares.

Os dados são da edição mais recente do Renewable Energy Country Atractiveness

País Parâmetro Posição
1.China
Ranking Geral
Eólica em terra
Eólica em mar  2º
Solar fotovoltaica (PV)
Solar concentrada (CSP)
Biomassa
Geotérmica 13º
Hidrelétrica
Marinha 16º
2.Estados Unidos
Ranking Geral
Eólica em terra
Eólica em mar
Solar fotovoltaica (PV)
Solar concentrada (CSP)
Biomassa
Geotérmica
Hidrelétrica
Marinha
3.Alemanha
Ranking Geral
Eólica em terra
Eólica em mar
Solar fotovoltaica (PV)
Solar concentrada (CSP) 27º
Biomassa
Geotérmica
Hidrelétrica 10º
Marinha 27º
4.Japão
Ranking Geral
Eólica em terra 13º
Eólica em mar
Solar fotovoltaica (PV)
Solar concentrada (CSP) 27º
Biomassa
Geotérmica
Hidrelétrica
Marinha 10º
5.Índia
Ranking Geral
Eólica em terra
Eólica em mar 17º
Solar fotovoltaica (PV)
Solar concentrada (CSP)
Biomassa 15º
Geotérmica 14º
Hidrelétrica
Marinha 11º
6.Canadá
Ranking Geral
Eólica em terra
Eólica em mar 11º
Solar fotovoltaica (PV) 12º
Solar concentrada (CSP) 23º
Biomassa 13º
Geotérmica 18º
Hidrelétrica
Marinha
7.França
Ranking Geral
Eólica em terra
Eólica em mar
Solar fotovoltaica (PV)
Solar concentrada (CSP) 27º
Biomassa
Geotérmica 15º
Hidrelétrica 15º
Marinha
8.Reino Unido
Ranking Geral
Eólica em terra
Eólica em mar
Solar fotovoltaica (PV) 10º
Solar concentrada (CSP) 27º
Biomassa
Geotérmica 19º
Hidrelétrica 24º
Marinha
9.Brasil
Ranking Geral
Eólica em terra
Eólica em mar 25º
Solar fotovoltaica (PV) 11º
Solar concentrada (CSP)
Biomassa
Geotérmica 32º
Hidrelétrica
Marinha 24º
10.Austrália
Ranking Geral 10º
Eólica em terra 18º
Eólica em mar 18º
Solar fotovoltaica (PV)
Solar concentrada (CSP)
Biomassa 20º
Geotérmica 11º
Hidrelétrica 25º
Marinha 12º