Mudanças climáticas

Um viés ambiental

De acordo com estudos recentemente apresentados, as emissões de gás carbônico na atmosfera nos próximos 40-50 anos, permanecerão difundidas na mesma durante os próximos 500-2000 anos. Essas emissões, como é do conhecimento de todos, não só trazem consequências diretas à saúde das pessoas, como são também a principal causa do aquecimento global. O que muitos não devem saber é que as consequências do aquecimento global já são realidade. Em palestra apresentada no Golden Symposium, no Colorado – EUA (2013), foi demonstrado que 97% dos cientistas no mundo já acreditam na causa e a defendem. Apesar de muitos ainda a apresentarem como um exagero ou como consequência de mudanças naturais, os principais jornais científicos da atualidade (como o Science, Nature, Proceedings of the National Academy of Sciences etc) demonstram a gravidade do problema e apontam o ser humano, como o principal agente. O objetivo dessa sessão é trazer algumas informações atuais sobre o que vem acontecendo em termos de mudança climática no mundo. As imagens a seguir foram enviadas por Dr. Charles Kutscher, diretor de edificações e central de sistemas térmicos da NREL (National Renewable Energy Laboratory).

Como pode ser observado, as médias globais da temperatura atmosférica nunca foram  tão altas:

Ainda pior, se considerado o calor absorvido pelo oceano:

Em junho de 2014, um recorde em média de temperatura absoluta global foi quebrado, seguindo outro recorde que tinha acabado de ser batido em maio do mesmo ano. Esse valor ultrapassa em aproximadamente 1º C a média observada no século 20(CBC News).

Uma das consequências desse aumento na temperatura é o aumento do nível do mar, que foi projetado da seguinte forma:

O que traria, entre outros problemas, o desaparecimento de diversas áreas do planeta (de acordo com as projeções, em apenas 100 anos):

Em Bangladesh (foto à direita) estima-se que até 17 milhões de pessoas sejam afetadas e um total de 22 mil quilômetros de superfície sejam inundados.

Um viés social

Mais recentemente, catástrofes naturais nunca antes observadas se tornaram cada vez mais frequentes. Temos como exemplos a seca no Texas em 2012 (a qual a mudança climática tornou 20 vezes mais provável, de acordo com a NOAA), o recorde de incêndios quebrado em Colorado Springs em Junho de 2012 e, novamente em 2013, com milhares de casas destruídas, a tempestade Sandy, também em 2012 e a inundação do metrô de Nova York por água do mar (desde 1904, nunca tinha acontecido algo do tipo e no gráfico abaixo é possível observar a evolução). Isso, apenas nos Estados Unidos.

Em 2012, a American Metereological Society desenvolveu um boletim especial explicando os eventos extremos de 2011 com uma perspectiva climática. Eles avaliaram 7 desses eventos, que ocorreram ao redor do mundo e fizeram uma ligação do quanto que eles se tornaram mais prováveis a partir das mudanças observada no clima global. Ligações climáticas diretas foram observadas nas secas na França, no Texas e no leste da África. Apenas nas enchentes na Tailândia foram descartadas essas ligações.

Um viés econômico

Muitos, apesar de concordarem com as consequências das mudanças climáticas, alegam não termos condições de revertê-las. Mas não é isso que mostram os estudos.

No último Congresso Mundial de Energias Renováveis, que aconteceu em Kingston – Reino Unido (2014), foi demonstrado que nos Estados Unidos, por exemplo, os custos projetados para lidarmos com as consequências das catástrofes naturais até 2025 seriam de 271 bilhões de dólares por ano. Em paralelo, com o investimento de 108 bilhões de dólares por ano em eficiência energética é possível reduzir as emissões em até 57% para a meta estipulada (80% de redução até 2050) e com o investimento de 26 bilhões de dólares por ano em energias renováveis, os outros 43% poderiam ser alcançados. Um total de 134 bilhões de dólares investidos em tecnologia e desenvolvimento poderia trazer não só inúmeros benefícios ambientais e evitar milhares de catástrofes, mas também um retorno financeiro de até 82 bilhões de dólares por ano.

Países mais desenvolvidos, cientes desses avanços, têm dedicado cada vez mais suas atenções ao meio ambiente e tentado, de diversas formas, identificar meios de minimizar as consequências trazidas por eles próprios. Diversas metas já foram criadas e vêm sendo batidas e novas tendências são cada vez mais presentes. A Alemanha,  por exemplo, já implantou metas de feed-in-tariff, fundos de investimento em fotovoltaicas, ações voluntárias de bancos comerciais (entre outras) e, mesmo com incidência mínima de irradiação, já alcançou até metade da demanda total por energia elétrica apenas com suprimento por energia solar. Os EUA, além de todas essas metas, oferecem também subsídios ao investimento inicial, dedução no imposto de renda, net-metering e obrigação de aquisição da energia pelas concessionárias, etc. Muitas dessas ações são também seguidas pela Itália, França, Japão e Espanha. No Brasil, apesar de recente, algumas dessas ações já vêm sendo implantadas com grande perspectiva de crescimento, como exemplo do net-metering.

Em tentativas ainda mais emergenciais, uma corrente foi criada e vem crescendo exponencialmente. Ela tem como objetivo criar um mundo 100% sustentável, onde o que se crie, se transforme, se adeque e se renove, sem nenhum dano ao meio ambiente. Mais informações podem ser encontradas em (Go100%).